Federação dos Trabalhadores Nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo
Palavra do Presidente
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Palavra do Presidente
Registro Sindical 104.187/58 - CNPJ 62.812.953/0001-01
Jornal Junho - Julho / 2009
Editoriais...
               Em 1993, quando assumimos a presidência da Fequimfar, esta revista ainda era um singelo boletim, que apesar de ser produzido de forma simples, com poucas páginas e cores, conseguia transmitir e informar um pouco do nosso dia a dia, junto às nossas opiniões. E foi através desse informativo que conseguimos destacar os nos nossos primeiros editoriais. Neles, passamos a transmitir todo o imenso desafio que nos esperava. Lembrando que era um período de organização para a Fequimfar, uma época, em que nosso maior objetivo era poder tornar realidade um sonho acalentado por todos os sindicatos e companheiros, que lutaram pela democratização de nossa entidade. Objetivos advindos de um movimento que se chamou S.O.S. Federação.  Um  movimento  que  trouxe  novas  esperanças   e   procurou   atender   aos   anseios   primordiais  de  toda  a  nossa
base. Paralelamente a tudo isso, o Brasil também estava mudando, e foi nessa época que os nossos editoriais passaram a abordar temas e assuntos dos mais diversos gêneros e interesse. Eles questionaram o porquê da inflação e o nascimento da política neoliberal. Escrevemos também sobre o plano Real e suas conseqüências para os trabalhadores, junto ao movimento sindical. Discutimos temas políticos, como o plebiscito que definiu o presidencialismo, como sistema de governo para o nosso País. Nelas também fomos testemunha da eleição de Nelson Mandela, como primeiro presidente negro da África da Sul e, onde também, alertamos para a crise do setor sucroalcooleiro, que tanto sacrifício nos causou. Editoriais que avaliaram a instituição da CPMF, criada originalmente para suprir as dificuldades da saúde pública. Foram dias tristes, onde lamentamos a privatização de varias empresas publicas e questionamos a morte do índio pataxó, o guerreiro Gaudêncio, queimado por garotos filhinhos de papai, num ponto de ônibus em Brasília. Tempos difíceis, onde as nossas reivindicações, junto aos representantes patronais, encontravam uma série de obstáculos, mas mesmo assim conseguimos uma ampla margem de vitórias em nossas convenções coletivas, sempre com a manutenção de direitos conquistados, junto a reposição dos períodos inflacionários e aumento real. A filiação da Federação à Força Sindical, decisão tomada no nosso 4º Congresso, em 1998, também foi discutida e abordada, num período marcado pelo crescimento da globalização e da nossa luta contra o neoliberalismo. As palavras do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, denominando nossos aposentados e pensionistas de vagabundos, foram repudiadas em nossas páginas. Tivemos boas novas com a assinatura do Pacto pelo Emprego no Setor Sucroalcooleiro, com o nascimento do Projeto Verão sem Aids e com os cursos de qualificação e requalificação profissional, promovidos por nossa entidade e seus sindicatos filiados. Assistimos a virada do século e lutamos contra a flexibilização das leis trabalhistas e demos início a uma série de discussões referentes à mudança no artigo 618 da CLT e, junto à reforma trabalhista, e também quando participamos da mudanças sugeridas pela reforma sindical, processo respaldado pela legalização das centrais sindicais. Contestamos a submissão da política econômica do governo sob as imposições do FMI. Assistimos ao escandaloso processo eleitoral nos EUA, contestado por todos, mas que elegeu Bush para o seu primeiro mandato, e posteriormente, os atentados de 11 de setembro. Participamos daquele, primeiro e histórico 1º de maio, na Praça Campo de Bagatele, que contou com a presença de mais de 1 milhão de trabalhadores. Reforçamos a luta do movimento sindical pela redução da jornada. Fizemos campanha e mobilizações para recuperarmos o FGTS que estava perdido com os planos Collor e Verão. Chamamos a atenção para a palavra ética e inúmeras vezes solicitamos a consciência e a cobrança dos eleitores, em relação à pessoa e mandatos de seus candidatos, junto a todos os processos eleitorais ocorridos. Fatos estes que nos levaram a protestar contra os diversos escândalos como a Máfia dos anões, Sanguessugas, Mensalão, entre outros. Tivemos que lidar com crises energéticas com a do Apagão e, também do transporte, como a do apagão aéreo, além dos diversos problemas de escoamento da safra no sistema viário, portos e aeroportos que vieram a tona. Nesse ínterim dissertamos sobre a camada do pré-sal e o desenvolvimento da Nação. Sendo que hoje temos uma política de meio ambiente em relação ao próprio sistema de produção em nossa sociedade. Questionamos o sistema de saúde e a violência, em relação ao sistema penitenciário, junto ao nascimento do PCC. Uma seqüência de problemas que afligem diretamente a sociedade e, que está relacionado à tremenda desigualdade social existente em nosso país. Com muita indignação, questionamos o problema da fome, quando em 2001, milhares de pessoas invadiram a CEASA no Rio de Janeiro em busca de comida contaminada. Lembramos da necessidade da reforma agrária, junto às ações do MST. Protestamos contra a discriminação no mercado de trabalho, onde as listas negras apontavam trabalhadores que questionaram seus direitos na justiça. Nesse ínterim, saudamos a nova posição da mulher em nossa sociedade, junto à luta contra a constante descriminalização de gênero, sexo, raça, etnia e pelos deficientes. Compartilhamos com todos, a nossa satisfação com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro cidadão oriundo da classe trabalhadora, do chão de fábrica, do movimento sindical a presidência da republica. Estamos conseguindo valorizar o salário mínimo, sendo que as marchas para Brasília estão aí para provar. Vamos continuar a lutar contra os juros altos e por uma política econômica voltada para a classe trabalhadora. A luta pela redução da jornada continua, junto a uma batalha incessante pela saúde, meio ambiente e uma melhor qualidade de vida dos trabalhadores e, consequentemente, de toda sociedade. Nossa, parece que foi muita coisa, muitos temas e assuntos citados nesses editoriais. Muitas vezes não é necessário aqui, mostrar todas as pedras descobertas no caminho, mas vale lembrar que foram retiradas uma a uma por um grupo de pessoas, de dirigentes e sindicatos. Nossa Federação foi se construindo e se solidificando a cada dia, até que pudéssemos realizar todas as mudanças necessárias de forma e conteúdo em todos esses anos, sempre com muita dedicação, muito trabalho e seriedade. Esse editorial convida você, companheiro e amigo, que tem nos acompanhado nestes últimos anos, a continuar aproveitando e prestigiando esse informativo e às ações de nossa Federação. O fruto disso tudo está aí para todo mundo ver. Agora uma nova etapa se inicia e cumprindo o que nos propusemos, nos retiramos da presidência, mas vamos estar juntos na direção de nossa entidade, seja nas lutas do dia a dia e nas ações e atividade que norteiam o nosso caminho. Uma vitória que não é somente nossa, mas de toda a Família Fequimfar.

Danilo Pereira da Silva
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