Federação dos Trabalhadores Nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo
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A Fundação da Central

Diz a capa do número 1 da revista da Força Sindical, publicada logo após a sua inauguração: "A Força Sindical nasce moderna, pluralista, democrática e com um projeto ambicioso: mudar o Brasil". Essas palavras mostraram a sua força ao longo dos anos, pois desde a sua fundação a central se caracterizou por essas qualidades.

A central Força Sindical é considerada como a primeira que teve coragem de modificar a visão do sindicalismo e do trabalho em geral. O pluralismo se verificou logo na sua fundação, onde uma pesquisa do professor da USP Leôncio Martins Rodrigues verificou que, entre os membros da nova central, havia partidários das mais diversas matizes ideológicas e preferências distintas para o primeiro turno da eleição presidencial que se realizaram em 89. Até hoje é característica da Força Sindical envolve os mais diversos pontos de vista e estimula o livre debate de idéias, ou seja, uma central democrática.

A Central foi fundada em 8 de março de 1991 num grande Congresso no Memorial da América Latina, em São Paulo, que se estendeu também nos dias 9 e 10 de março, reunindo mais de 2,5 mil pessoas, vindas de todo o país e também do exterior. Ao redor da nova proposta se aglutinaram líderes sindicais e trabalhadores que tiveram a percepção do descompasso em que o movimento sindical se encontrava: muito discurso e pouca ação, proposta de mudanças inviáveis que não levavam a lugar algum e falta de coragem para discutir e propor a modernidade do movimento sindical eram atributos das entidades que defendiam o trabalhador.

“Era preciso dar aos trabalhadores o reconhecimento de que eles poderiam participar do processo, sentando às mesas de negociações e endurecendo quando necessário. Antes de tudo, que os trabalhadores fossem voz ativa dos novos tempos que viriam. E esse intento a Força Sindical conseguiu e continua lutando. Pois nós temos um caminho e esse caminho não tem volta”, declarou o primeiro presidente eleito da Força Sindical, Luiz Antonio de Medeiros, em seu primeiro discurso como líder de uma nova proposta que tomou conta do país.

A Força dos Químicos

Após processos de reestruturação, organização, muito trabalho e lutas, Danilo, junto com sua diretoria, foi reeleito, através de processos democrático, com votações unânimes e o forte apoio dos sindicatos filiados. Nesse período foram realizados o IV e o V Congresso da Federação, que respaldaram a linha política e sindical da Federação, sendo que em seu IV Congresso, realizado em 1998, os delegados participantes, representando os sindicatos filiados, aprovaram em plenária a filiação à Central Força Sindical.

Força Sindical comemora Dia Internacional da Mulher
               As trabalhadoras lotaram o auditório do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo para comemorar o Dia Internacional da Mulher, que contou com a presença de toda a direção da Central, sob o comando do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, Paulinho, e do ministro do Trabalho Carlos Lupi. "Hoje é um dia de reflexão", disse a Secretaria Nacional da Mulher da Força Sindical, Maria Auxiliadora dos Santos. Segundo Auxiliadora, "neste ano, o Dia Internacional da Mulher completa 100 anos, mas elas ainda enfrentam muitos desafios, como a desigualdade salarial (as mulheres ganham 30% menos que os homens); a divisão desigual das tarefas domésticas, que precisam ser encaradas para encontrar soluções". Outro ponto importante, afirmou a secretária nacional da Mulher, é a eleição
 
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deste ano. "Temos que ajudar os companheiros que vieram do berço dos trabalhadores e parar com esse negócio que mulher não  vota  em  mulher.  Se  sabemos  administrar nossa casa com poucos recursos sabemos governo o País sim", destacou. "Caberá a nós ouvirmos as mulheres e adotarmos práticas que solucionem seus problemas", disse Danilo Pereira, presidente da Força Sindical São Paulo. O ministro Carlos Lupi comentou os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, que mostra mais mulheres no mercado de trabalho com curso universitário completo e incompleto. De acordo com o ministro, ao contratar mais mulheres as empresas visam reduzir custos porque elas ganham 30% menos que os homens.
Força Sindical inaugura sua sede
              No dia 7 de março, a central Força Sindical inaugurou sua sede própria, em São Paulo. Desde que foi fundada em 1991, a Central usou as instalações do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Na ocasião, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da central, reiterou que a unidade das centrais tem garantido vitórias dos trabalhadores, como a política de valorização do salário mínimo, aumento real para os aposentados, entre outros, avanços obtidos no Congresso Nacional. João Carlos Gonçalves, Juruna, Secretário-geral da Força Sindical, que foi o apresentador na cerimônia de inauguração, informou que as centrais farão a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, no Pacaembu, onde será elaborado um documento contendo as reivindicações dos trabalhadores, que será entregue aos candidatos a presidentes da República.
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Artigo
Reduzir a jornada de trabalho é ampliar direitos
               Por João Carlos Gonçalves

               Medida poderá criar cerca de 2 milhões de postos de trabalho

               "Na realidade não havia horas regulares: os mestres e os gerentes faziam conosco o que desejavam. Os relógios nas fábricas eram frequentemente adiantados de manhã e atrasados à noite; em vez de serem  instrumentos  para medir  o  tempo,  eram  usados  como
disfarces para encobrir o engano e a opressão. Embora isso fosse do conhecimento dos trabalhadores, todos tinham medo de falar, e o trabalhador tinha medo de usar relógio, pois não era incomum despedirem aqueles que ousavam saber demais sobre a ciência das horas"*.

               A luta dos trabalhadores pela redução da jornada de trabalho acontece desde os primórdios do capitalismo. No início era quase uma questão de sobrevivência dos operários nas fábricas, que trabalhavam jornadas exaustivas e extenuantes, chegando ao absurdo de 18 horas diárias.
               Com o passar do tempo, o fortalecimento das organizações dos trabalhadores, um significativo aumento das mobilizações e as negociações entre capital e trabalho acontecendo de forma mais democrática fizeram com que a pauta por melhores condições de trabalho passasse a conter um item extremamente importante, que se traduzia (e ainda se traduz) na forma de redução da jornada.
               Todas as modificações ao longo dos anos ocorreram devido à mobilização dos trabalhadores. No Brasil, a redução da jornada de trabalho sempre fez parte da luta sindical, e já produziu efeitos positivos. A intensa luta levou, na década de 30, à primeira lei nacional, que a limitava em 48 horas semanais. No início do século, com as jornadas insuportáveis, as primeiras manifestações contrárias à carga excessiva não tardaram a acontecer. Temos registros, do fim do século 19, de lutas por uma jornada menor travadas pelos comerciários na cidade do Rio de Janeiro.
               No início da década de 1980, também como resultado da movimentação sindical, várias categorias conquistaram jornadas que variavam entre 40 e 44 horas por semana, fortalecendo as lutas dos trabalhadores e sensibilizando a sociedade para que fosse garantido um teto de 44 horas semanais na Constituição Federal de 1988.
               Nestes 22 anos que se seguiram, a bandeira da redução da jornada sempre esteve na ordem do dia das entidades sindicais. E novamente estamos diante de um embate para reduzir a carga horária semanal. O processo de discussão não está somente no Congresso Nacional, que debate a PEC 231/95, de autoria dos senadores Inácio Arruda (PC do B) e Paulo Paim (PT), relatada na Câmara pelo deputado Vicentinho (PT). Essa PEC reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuir os salários, além de aumentar o valor das horas-extras de 50% para 75%.
               O presidente da Força Sindical e deputado federal (PDT-SP), Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, junto com sindicalistas de todo o Brasil, está mobilizando a todos no Congresso e nos locais de trabalho visando esclarecer e conquistar apoio para a redução da jornada de trabalho. As mobilizações ocorrem nas empresas, nas ruas e nas entidades de classe. Há toda uma pressão para colocarmos em votação no plenário ainda neste semestre. Vários partidos, entre eles o PDT, já fecharam questão em favor da aprovação da matéria.
As Centrais Sindicais (Força Sindical, CUT, CGTB, UGT, CTB e Nova Central), na chamada Unidade de Ação, estão mobilizadas, atuando conjuntamente e construindo uma agenda pela aprovação da PEC. Como símbolo da vontade popular, as Centrais entregaram ao Congresso, em 2008, 1,5 milhão de assinaturas reivindicando a redução da jornada.
               Recentemente, o presidente da Câmara Federal, Michel Temer, apresentou uma proposta de reduzir a jornada para 42 horas semanais em 2011, com a perspectiva de uma nova negociação em 2013. É muito louvável o gesto do presidente da Câmara em buscar um bom entendimento entre capital e trabalho. A Força Sindical está realizando uma consulta sobre o tema entre suas entidades filiadas e os trabalhadores da base. Podemos ter a vitória da redução.
               Vale destacar que a implementação da medida tem o potencial de criar, em uma primeira etapa, cerca de 2 milhões de postos de trabalho (dados do Dieese). Mas, além dessa questão devemos também refletir sobre as vantagens sociais, já que o trabalhador passará a ter mais tempo para a família, para o lazer e para a sua própria qualificação profissional. A medida também vai contribuir para a diminuição dos problemas de saúde e acidentes de trabalho, resultantes das jornadas exaustivas.
               Não podemos nos calar diante da falácia empresarial de que a medida irá encarecer a produção nacional. Dados do Dieese mostram que a produtividade das empresas, de 2000 até agora, cresceu 27%, enquanto o custo com redução da jornada deverá aumentar apenas 1,99%. Como a produtividade nas empresas tem crescido constantemente, em menos de seis meses o aumento do custo seria compensado.
               Como podemos perceber, os números revelam um brutal aumento dos ganhos de produtividade. E esses ganhos, oriundos das inovações tecnológicas e arranjos organizacionais, não podem ficar só com o capital. Eles também são frutos da dedicação da classe trabalhadora, e, portanto, devem ser estendidos a todos.
               A redução da jornada, como pensamos, fortalece o mercado interno e faz parte do movimento pró-cíclico pelo desenvolvimento econômico, com distribuição de renda, porque é um importante mecanismo para se repartir parte dos ganhos de produtividade acumulados pelo capital.
               Da mesma forma que os operários ingleses convenceram a sociedade britânica da importância de se reduzir a jornada, e hoje trabalham 37 horas semanais, nós, brasileiros, com a busca incessante por negociações de forma democrática e com a mudança da lei, também vamos conseguir o nosso objetivo de uma sociedade mais justa, com emprego, dignidade e renda para todos.

               *Chapters in the life of a Dundee factory boy (Dundee, 1887) apud Thompson, E.P. Costumes em Comum, SP: Cia. das Letras, 1998. p.290

               João Carlos Gonçalves (Juruna) é metalúrgico, secretário-geral da Força Sindical e ex-presidente do Dieese
               Fonte: Valor on line (05/03/2010)

REDUÇÃO DA JORNADA E GERAÇÃO DE EMPREGO
               Trabalhadores na indústria farmacêutica, representados pela Fequimfar conquistaram, em Convenção Coletiva, a redução da jornada de 40 horas, sem perdas salariais, em 2008, sendo que a mesma foi implantada em setembro de 2009, e mesmo com a crise financeira internacional, o emprego no setor teve um saldo positivo de 13.442 vagas, no Brasil, e de 4.367 postos de trabalho no estado de São Paulo, segundo dados do CAGED, avaliados pelo Dieese, referente ao último ano.

               “Nossas conquistas para os trabalhadores do setor farmacêutico servem de referência para outras categorias. Fomos um dos primeiros segmentos a conquistar em Convenção Coletiva, a redução da jornada para 40 horas semanais, sem perdas salariais. Hoje o setor é destaque em relação ao próprio crescimento e no número de trabalhadores com carteira assinada”.
               Sergio Luiz Leite
               presidente da Fequimfar
Balanço Geral de emprego nos segmentos químicos em 2009
               Apesar da crise internacional que atingiu a economia brasileira, provocando desemprego em alguns setores, os dados do Caged mostram um saldo positivo nos postos de trabalho do setor químico e junto aos segmentos que o compõem.
A Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) encerrou 2009 com resultado positivo, em relação a diferença entre admitidos e desligados nos segmentos da indústria química, do plástico, fabricação do álcool e de produtos farmacêuticos, junto aos trabalhadores representados. Os dados mostram que no Brasil, foram criadas 13.442 vagas, sendo que no estado de São Paulo, o número de postos de trabalho gerados foi de 4.367.
Segundo informações do Dieese, no Brasil, o setor químico industrial admitiu 233.822 e demitiu 220.380, gerando um saldo positivo, correspondente a criação de 13.442 postos de trabalho.
No estado de São Paulo a situação não foi diferente: 90.930 trabalhadores foram admitidos e 86.563 foram demitidos. O saldo foi de 4.367 postos de trabalho gerados.

               A crise não atingiu o setor químico

               Desde o início do alarde para a crise econômica mundial, a Fequimfar entendeu que o mais importante seria a manutenção dos empregos. Em 2009, apoiada pelos seus 33 sindicatos filiados, representando 155 mil trabalhadores, a Fequimfar realizou uma série de reuniões e manifestações, mobilizando os trabalhadores em ações pela garantia dos postos de trabalho e também por melhoria das condições de emprego.
Nas negociações salariais, a Fequimfar também conquistou diversos benefícios aos trabalhadores da base, tais como:
               • Reajustes salariais com aumento real
               • Redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais (já conquistada pelo setor farmacêutico)
               • PLR (participação nos lucros e resultados das empresas

               Além disso, o resultado positivo de 2009 revela que o movimento sindical esteve unido e alerta, negociando medidas concretas e importantes que mantiveram a renda dos trabalhadores e o consumo interno aquecido, como:
               • Redução do IPI nas linhas automotivas e branca com a garantia dos postos de trabalho
               • Política de valorização do Salário Mínimo
               • Oferta de crédito via BNDES
               • Aumento real de salários
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