Federação dos Trabalhadores Nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo
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Dieese
No dia 30 de junho, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômicos (Dieese) divulgou o Balanço das Greves ocorridas em 2007. Foram examinadas a freqüência, quantidade de trabalhadores parados, as insatisfações que surgem das relações de trabalho e as dificuldades enfrentadas pelos grevistas. De acordo com a pesquisa, no ano passado, foram registradas 316 greves que resultaram na paralisação de quase 29 mil horas de trabalho em todo o país. Desse total, 161 greves aconteceram na esfera pública e 149 foram realizadas na esfera privada, por trabalhadores da indústria, serviços e do setor rural. O Dieese possui um Sistema de Acompanhamento de Greves que reúne informações sobre as paralisações no Brasil desde 1983, e conta, atualmente, com cerca de 18 mil registros.
Greves em 2007
Em 2007, o número absoluto de trabalhadores do setor privado que fizeram greve foi de 641.766 ante 546.955 do funcionalismo público - número que sobe para 713.259 se forem considerados os trabalhadores grevistas empregados em estatais. Já em relação à quantidade de horas paradas nas greves, o Dieese aponta que o funcionalismo ficou sem trabalhar por 20.172 horas no ano, enquanto os trabalhadores privados, 3.324 horas. O número de paralisações não apresentou grande diferença: foram 95 do funcionalismo público e 100 do setor privado. Outras 12 paralisações foram feitas por empregados de estatais. O Dieese aponta ainda que cerca de 40% do total dos movimentos grevistas foram encerrados no mesmo dia em que foram deflagrados e 79% deles não ultrapassaram 10 dias. Esse percentual é devido, segundo a entidade, principalmente, às paralisações ocorridas na esfera privada. Nela, o percentual de paralisações de apenas um dia ultrapassou a metade do total (52%). Quanto às paralisações superiores a 30 dias, estas foram mais freqüentes no funcionalismo público: 91% das greves com essa duração ocorreram no setor.
Manifestações
Na esfera privada, a indústria foi responsável por 26% do total de greves do ano e o setor de serviços, por 20%. Ainda foram verificadas quatro paralisações no meio rural - todas de trabalhadores canavieiros. É importante destacar a relevância de três greves ocorridas na esfera privada. Duas delas foram deflagradas por trabalhadores metalúrgicos: uma de abrangência nacional, que contou com 170 mil trabalhadores, e outra do estado de São Paulo, que reuniu 190 mil grevistas. A terceira foi empreendida pelos trabalhadores da indústria da construção civil do Estado de São Paulo e teve a participação de 130 mil trabalhadores. Juntos, esses três movimentos somaram 490 mil trabalhadores - 76% do total de grevistas da esfera privada e 34% do total geral. É importante destacar que, desde 2004, ano do primeiro balanço de greves do Dieese, é a primeira vez que a média de trabalhadores parados por greve na esfera privada supera a do funcionalismo público. Do total das greves apuradas na indústria em 2007, 83% aconteceu na região Sudeste. Aproximadamente 88% das greves da indústria ocorreram no nível das empresas e 12% delas mobilizaram categorias. Mais da metade dos movimentos foi feito por trabalhadores metalúrgicos; 14% por trabalhadores da construção civil e 5% por trabalhadores da indústria de alimentação. Vale ressaltar que duas greves foram realizadas por trabalhadores na indústria química.
Principais reivindicações
A exigência de reajuste salarial é a principal reivindicação das categorias no conjunto das greves analisadas pelo Dieese e atinge quase a metade do total (49%). Outras reivindicações são: implantação ou reformulação de Plano de Cargos e Salários (26%); auxílio alimentação (18%); novas contratatações (14%); aumento no piso salarial (14%); PLR (13%); descumprimento de acordo, descumprimento de lei e por questões relativas a condições de trabalho (12% cada); atraso no pagamento de salários (11%); isonomia salarial (10%); melhora nos serviços públicos (8%).
Mobilizações das centrais
Foram ainda realizadas seis paralisações que envolveram tanto trabalhadores da esfera pública quanto privada, sendo que duas delas envolveram trabalhadores de empresas
públicas e privadas de diferentes setores e uma com participação de trabalhadores de empresas públicas e privadas, igualmente de diferentes setores, mais funcionários públicos dos governos federal, estadual e municipal. Segundo o Dieese, estas paralisações merecem destaque por serem grandes mobilizações organizadas por centrais sindicais. Além disso, elas tiveram em comum o apelo à manutenção do veto presidencial à Emenda 3.
Conclusão
A pesquisa do Dieese conclui que o cenário das greves realizadas no ano passado tem grandes semelhanças
com o dos últimos anos, porque em 2007 foram registradas 316 paralisações em todo o território nacional e nos anos anteriores, foram observados números pouco diferentes: 320 em 2006, 299 greves, em 2005, e 302, em 2004. Embora tenha sido crescente a proporção de grevistas e de greves empreendidas na esfera privada, as paralisações da esfera pública continuam tendo maior participação no total, o que pode ser explicado por diversos fatores, como insegurança e a fragilidade do vínculo empregatício na esfera privada, onde o empresariado dispõe do recurso da dispensa imotivada, freqüentemente utilizada para coibir as mobilizações. Outro fator importante para explicar a preponderância das greves na esfera pública é a inexistência de data-base. Na esfera privada, a data-base anual assegura a regularidade das negociações coletivas de trabalho; e a recorrência à greve, no geral, coloca-se em momentos de impasse. Já para o funcionalismo, a paralisação das atividades é, muitas vezes, um instrumento para forçar a abertura das negociações.

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