Palavra do Presidente.
Danilo Pereira da Silva, presidente da Fequimfar.
Este é o primeiro de muitos do Boletim Eletrônico da Fequimfar. Um informativo eletrônico com espaço para informações, debates, idéias e discussões. Nosso objetivo principal é poder oferecer um espaço mais justo e imediato, para a formação de conhecimento humano, ético e justo, somando forças de ação e união, em relação a filosofia de luta e o pensamento democrático que norteia nossa Instituição.
Apresentação.
Crise Internacional
No meio do caminho há uma pedra...
Há uma pedra no meio do caminho...
Caminhos e descaminhos...
Diferentes setores do movimento sindical vêem criticando uns aos outros pelos acordos feitos diante das pressões patronais argumentando estes que “a crise” chegou.
Ora... contendas, divergências e acusações ideológicas, políticas ou demagógicas nos movimentos sindicais e populares ou na própria política, sempre existiram e devem continuar a existir, a questão é que isso não pode servir de impeditivo para que os trabalhadores saiam prejudicados diante da conjuntura devastadora que começa a assolar o país. Devemos continuar lutando.
Com a recente queda da taxa Seliq de 1,5 pontos, passando dos antigos 12,75% para 11,25%, e um juro real que, descontada a inflação gira em torno de 6,5% ao ano, mantém-se a esperança de que tais cortes prossigam e que o BC possa aceitar o clamor popular de diminuir seu prazo para a ocorrência de suas reuniões (hoje nos atuais 45 dias), para os 30 dias, como ocorria anteriormente. Diante da forte retração do PIB de 3,6% em relação ao terceiro trimestre de 2008, temos mais motivos para que o Copom se reúna mais vezes, que diminua o prazo entre suas reuniões e que democratize o Conselho Monetário Nacional - CMN, inserindo representantes da produção, consumo e trabalhadores dentro do mesmo.
Responsabilidade governamental
E o papel dos Governos? Vamos caso a caso tentar analisá-los. O governo federal poderia se empenhar melhor no apoio aos trabalhadores de maneira mais dura e realista na defesa do emprego. Só para citarmos alguns exemplos: aprovação da Convenção 158 da OIT. É esta Convenção que defende o fim da demissão imotivada dos trabalhadores pelos patrões. Também poderia se esforçar um pouco mais para que fosse aprovada a redução da jornada de trabalho, que nesta situação de crise ajudaria milhares e milhares de trabalhadores a serem re-admitidos e tantos outros milhões a entrarem no mercado de trabalho, distribuindo desta forma renda e ajudando na circulação de dinheiro na economia do país, combatendo os efeitos da crise. Ou seja, mataríamos dois coelhos com uma cajadada só! Para sedimentar o caixa do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o Governo bem que poderia efetuar depósitos mensais para o mesmo, facilitando com que o Seguro Desemprego pudesse ser ampliado dos atuais 5 meses para 10 meses ou um ano. Ou seja, ao invés de se retirar dinheiro do Fundo para se capitalizar bancos e empresários que demitem, utiliza-se o dinheiro para o trabalhador.
Regras duras e claríssimas nos empréstimos do BNDES afim de se evitar demissões, enxugamentos e outras atividades que visem demitir trabalhadores com apoio do dinheiro público devem ser evitadas a todo custo.
Estados e Municípios
Quanto ao papel dos Governos Estaduais e Municipais, o que pode e poderia ter sido feito? Empréstimos, incentivos e descontos maiores para setores econômicos que empregam muito mais do que a Indústria Automobilística como a Construção Civil e principalmente a Indústria do Cinema (campeã absoluta de contratação de mão de obra não especializada e também especializada). O apoio ou incentivo fiscal as Cooperativas de Catadores e Recicladores também poderiam estar na ordem do dia. Redução de ICMS para aquelas empresas que mantivessem a garantia de emprego. Bem... outra proposta também poderia ser a de o Estado isentar o pagamento de energia elétrica para o trabalhador que comprovadamente ficar desempregado. Diminuindo assim os custos com que este deverá arcar em épocas de vacas magras. Agora, para as Prefeituras, a diminuição de ISS para pequenas e médias empresas com faturamento até determinada quantia que realmente atendesse as empresas mais pobres ou os empreendedores beirando a situação da informalidade (camelôs, donos de pequenos empreendimentos, entre outros). A abertura de frentes de trabalho pelos governos estaduais e municipais também seria uma grande oportunidade de se diminuir os impactos na economia e na sociedade do desemprego em massa. Também no caso dos Governos Municipais, poderiam ser fornecidos vales-transporte gratuitos a desempregados no período em que estivessem sem emprego. Enfim, propostas e possibilidades múltiplas para sairmos da crise não faltam para o Movimento Sindical.
Ação e Luta
Devemos em quanto ainda há tempo de a situação da economia não piorar por continuidade deste ciclo que se inicia ou por contaminação da economia externa, tomarmos atitudes que brequem o avanço da onda de demissões por que o país começa a sofrer. Não podemos esquecer que uma tempestade em auto mar, se inicia com fortes ventos e aumenta com os movimentos das ondas que multiplicam a força do vento tornando-a cada vez maior e mais forte. Precisamos ser realistas: ou navegamos para fora da tempestade e salvamos a economia do país ou podemos estar certos de que não serão somente marolinhas que irão nos atingir.
Dados Econômicos, Políticos e Sociais.
Em janeiro de 2009, a indústria química brasileira apresentou um saldo negativo de -3.862 postos de trabalhos. O segmento da indústria química que apresentou o maior saldo negativo foi o Plástico (-3.057). Em dezembro de 2008 a indústria química nacional apresentou um saldo negativo de -12.728 postos de trabalho.
No Estado de São Paulo, o saldo negativo foi de -1.435 postos de trabalhos. Vale destacar que no segmento farmacêutico o saldo foi positivo (326 postos de trabalho) demonstrando uma recuperação maior que os outros segmentos em relação à dezembro de 2008.Por outro lado, o segmento da indústria química paulista que apresentou o maior saldo negativo foi o Plástico (-1.383).
Em relação à remuneração, um admitido no mês de janeiro de 2009 na indústria química paulista ganhava, em média, -7,86% do que um trabalhador que foi desligado. Ou seja, o salário de um trabalhador que entrou no setor em janeiro era 7,86% menor do que um que saiu. Em dezembro a diferença entre remuneração de admitidos e desligados foi maior, de -14,88%.
Boletim Eletrônico Fequimfar é um Informativo da Federação dos Trabalhadores nas Industrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de SP.
Coordenação: Danilo Pereira da Silva, Sérgio Luiz Leite e Jurandir Pedro de Souza.
Conselho Editorial: Fernando Monteiro, Claudia Cirino, Francisco Juvenal Filho e Paulo de Tarso Gracia.
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Estamos sempre abertos a sugestões, reflexões e opiniões das mais diversas origens, que possam envolver a riqueza e a pluralidade do pensamento político presente no movimento sindical brasileiro e acima de tudo na sociedade brasileira. Nossos sonhos são acima de tudo, apoiar o crescimento do conhecimento das lideranças brasileiras sindicais e populares, com destaque para o próprio movimento sindical, afim de construirmos uma sociedade mais equânime, socialmente e economicamente sustentável, respeitando sempre os Direitos Humanos, base sobre a qual os homens precisam ainda hoje, aprender a viver. Sendo esses os ensejos e objetivos de nossa Federação. Leia, se informe e participe!

A Crise, o 8 de março e os caminhos para trilharmos.
8 de março - Dia Internacional da Mulher.
É chegada uma data muito especial, o Dia Internacional das Mulheres. Dia de comemorarmos, presentearmos, amarmos nossas esposas, filhas, netas, mães, avôs, bisavôs (e porque não as tataravôs), primas, amigas, enfim, é um dia muito especial. E porque não ampliarmos a beleza desta data para o ano todo? Antes disso, voltemos um pouco a situação histórica que envolve a questão.
A história do 8 de Março
Conta a estória que a muitos anos atrás, operárias americanas, decidiram realizar uma greve, numa fábrica de tecidos a qual trabalhavam, exigindo melhores condições de trabalho, fim das multas, fim das humilhações morais, psicológicas e outras, aumento de salários e uma pauta que se estendia muito, conforme as péssimas situações por que passavam o operariado mundial no século XIX.
Os patrões, intolerantes a organização operária (como sempre) e ainda mais furiosos com mulheres se organizando e exigindo direitos, resolveram, literalmente, ao pé da letra, trancar as operárias dentro da fábrica e iniciaram um incêndio criminoso, matando todas as trabalhadoras que lá estavam. No momento anterior ao fogo, as operárias haviam terminado de costurar uma série de peças e tecidos da cor lilás, que até hoje, é considerada, por respeito e para manter a memória viva das pessoas diante desta barbárie, a cor oficial dos movimentos femininos em todo o mundo.
Porém, como se sabe, hoje, diante de muitas pesquisas realizadas por vários estudiosos em todo o mundo, ocorreu uma grande confusão, envolvendo datas e eventos. Na verdade, esta greve acima citada foi confundida com outra greve, em que não houve fogo na fábrica e o problema das mortes, ocorreu por causa de um incêndio, no dia 25 de março de 1911. Morreram numa fábrica de tecidos (também em Nova Iorque) 146 pessoas, sendo 125 mulheres e 21 homens. Paralelamente a este movimento, em 8 de março de 1917, operárias de tecelagens na Rússia, iniciam a grande greve geral espontânea na Rússia que derrubaria o Czar e daria início aos eventos da revolução Russa de Outubro. Foi uma confusão da união das datas e eventos acima citados que originou a estória das operárias queimadas em uma greve em Nova Iorque, história que ficou lendária e foi contada por décadas, até ser finalmente re-estudada e re-publicada.
E a atualidade?
Hoje, felizmente as mulheres não são mais mortas queimadas dentro de fábricas, mas infelizmente, a agressão, a humilhação, tortura, violência física e psíquica são cotidiano nas vidas de milhões e milhões de mulheres em todo mundo.
A questão das desigualdades de renda entre homens e mulheres e principalmente entre as mulheres negras no Brasil é assustadora. Está é uma realidade da qual devemos nos movimentar e lutar para que seja imediatamente ultrapassada.
Em alguns países da África, existem rituais religiosos que mutilam o clitóris de meninas. Por tradição, por acreditarem que a mulher será feliz no amor e no casamento participando dos rituais, até crianças tem o clitóris cortado e jogado fora como prática de uma atitude que deve ser combatida e negada por toda a humanidade. Independente se envolve credos ou não.
As Mulheres e o Movimento Sindical
Precisamos entender urgentemente o quanto é importante incentivarmos novas lideranças sindicais femininas e romper com a tradição de que o sindicalismo é somente para velhos e homens. Todo nosso apoio as mulheres e todo e qualquer incentivo para que as mesmas cresçam e se desenvolvam intelectualmente, deve ser um dos objetivos centrais de nossa luta cotidiana nos Sindicatos e nas fábricas.
Um dia para todo o ano
Voltando ao início da matéria. Comemoramos e protestamos todos os anos diante desta data. Não seria importante entendermos a mesma como um dia que se deve celebrar e protestar todos os dias de nossas vidas? Fica aqui a provocação de nossa Entidade para todo o movimento sindical e popular.
Fonte:
BLAY, A. Eva. 8 de Março: Conquistas e controvérsias. São Paulo: 1999.