Federação dos Trabalhadores Nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo
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Fequimfar completa 51 anos
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Fequimfar completa 51 anos
Fequimfar completa 51 anos e homenageia trabalhador morto pela ditadura
Após a entrega de uma placa da Câmara Municipal de São Paulo, em homenagem a Fequimfar, pelo verador Cláudio Prado, a diretoria da Fequimfar prestou uma homenagem ao companheiro Olavo Hansen, trabalhador da indústria química que foi assassinado em maio de 1970, pelos órgãos de repressão do regime militar. Olavo, foi morto, após ser sequestrado por forças repressoras da Ditadura Militar, num ato em comemoração ao dia 1º de maio, convocado pelos Sindicatos afiliados a Fequimfar, no ano de 1970, no Estádio Maria Zélia em São Paulo. Foi apresentado um pequeno resumo da vida de Olavo Hansen, junto ao posicionamento político da Fequimfar, sendo que na ocasião de sua morte, apesar das inúmeras perseguições políticas e do terrorismo de estado, a Fequimfar publicou uma série de artigos em seu jornal, denunciando, protestando e questionando a morte do companheiro Olavo Hansen. Sofrendo diversas conseqüências e perseguição política por esse fato.

Maurice Politi (diretor do Fórum dos ex presos e perseguidos políticos de São Paulo) e  Raphael Martinelli (presidente do Fórum dos ex presos e perseguidos políticos de São Paulo) deram seus testemunhos sobre a morte de Olavo. “Ficamos presos na cela 3, no dia 20 de março ao dia 20 de abril, quando chegou a cela, Olavo estava assustado e disse para nos que estava somente distribuindo jornal no estádio Maria Zelina, num 1º de maio, que tinha cerca de 200 pessoas. Após ser levado para ser torturado, retornou a cela com inconsciente e com diversas escoriações, quando tentamos ajudá-lo, fazendo massagens no peito e nas pernas. Chamamos por socorro, fazendo um grande estardalhaço para que ele fosse atendido. Posteriormente um médico o examinou e logo após retiraram Olavo da Cela. Na ocasião, pensamos que ele tinha sido socorrido, mas no dia seguinte seu corpo foi encontrado no Ipiranga. Mas devemos sempre ressalvar que Olavo não foi somente uma vítima, ele sabia que ele estava defendendo uma idéia, que estava lutando por uma causa. Olavo foi um homem de valor.

Em seguida Raphael Martinelli prestou homenagem ao primeiro presidente da Fequimfar, Francisco Dezen e também saudou Olavo Hansen, “Olavo era um trabalhador, um operário honesto, correto. Quando voltou da tortura, gritamos muito para que ele fosse socorrido. Quando o retiraram, pensamos que tínhamos conseguido uma vitória, mas infelizmente não foi isso que ocorreu. Queriam que ele entregasse companheiros do Rio Grande do Sul, mas ele não disse nada”, Martinelli saudou a Fequimfar, na pessoa de seu presidente, Danilo, lembrando que a primeira escola política do trabalhador é o sindicato.  José Gaspar, vice presidente do PDT SP, declarou, “Temos obrigação de resgatar nossa história, precisamos ter memória. Quero destacar o trabalho do comitê dos ex presos políticos e seus diretores”.

Reafirmando o seu compromisso com a luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora, a Federação dos Químicos deu o nome de Olavo Hansen ao seu auditório. Danilo Pereira da Silva, presidente da Fequimfar e da Força Sindical São Paulo, declarou, “Nossa homenagem ao companheiro e amigo, Olavo Hansen, morto em maio de 1970, pelos órgãos de repressão do regime militar, que arbitrariamente governou esse País. A democracia de hoje é fruto da luta e resistência de muitos companheiros que também lutaram pela liberdade, por seus direitos e por uma vida melhor. Companheiros que acreditaram num futuro melhor.A Fequimfar reafirma o seu compromisso com a luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora, junto a lembrança desse grande companheiro, Olavo Hansen.
Olavo Hansen
1937- 1970
No dia 23 de abril, a Federação dos Químicos comemorou os 51 anos da entidade e recebeu o Voto de Júbilo da Câmara Municipal de São Paulo, por iniciativa do Vereador Cláudio Prado. Na ocasião, também foi realizada uma cerimônia em memória a Olavo Hansen, trabalhador do segmento químico, assassinado em 1970 pelas forças repressoras do regime militar.

No evento estiveram presentes lideranças dos sindicatos filiados a Fequimfar, diretores da Força Sindical, Força São Paulo, CNTQ, Nova Central, representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Sindicato dos Borracheiros, do Sindfucesp, do Fórum dos EXs presos e perseguidos políticos, Fundação Santo André e lideranças do PDT-SP.
Olavo Hansen, era operário da Indústria Química, trabalhava na empresa QuimBrasil. Olavo era técnico químico e militava numa organização trotskista.

Foi morto, após ser sequestrado por forças repressoras da Ditadura Militar, num ato em comemoração ao dia 1º de maio, convocado pelos Sindicatos afiliados a FEQUIMFAR, no ano de 1970, no Estádio Maria Zélia em São Paulo.

Olavo foi preso junto com outros 17 companheiros. Seu corpo apareceu numa várzea alguns dias depois de sua morte.

Quando foi preso, estava distribuindo o jornal “Frente Operária”, provavelmente ligado a organização Posadista, com outros companheiros.
Sua missa de 7º Dia foi realizada no dia 12 de maio de 1970.

De acordo com dados publicados a época, o relatório dos legistas informava que havia grande quantidade de veneno em seu sangue, provavelmente inserido pela veias.

Na ocasião, o Jornal o Estado de SP, no dia 1º de agosto de 1970, publicou uma matéria, através de seu Jornalista, Evandro Carlos de Andrade, que relata partes do discurso do deputado Oscar Pedroso Horta, vice líder do MDB.

O deputado faz furiosa crítica ao governo pedindo que os responsáveis fossem punidos exemplarmente para que tais ações não mais acontecessem na sociedade brasileira.

(...)“preso em São Paulo em festa comemorativa do 1º de maio, foi morto na prisão. Doze dias depois de sua detenção,a família, por telefone, foi convidada a reconhecer o corpo no Ipiranga. O exame de cadáver demonstrou, pelas lesões apresentadas que Olavo Hansen foi submetido ao pau de arara. Feita a autópsia, verificaram os médicos legistas que os condutos do aparelho digestivo se apresentavam intactos, mas os rins estavam destruídos por veneno, o que impôs a condição, veiculada pelo Sr. Pedroso Horta de que a vítima não apenas morrera envenenada, mas teria recebido a dose fatal de veneno por injeção na veia, já que dela não havia vestígios na boca, no esôfago e no estômago”.

Numa matéria publicada também pelo jornal Estado de São Paulo, no dia 15 de setembro de 1970, pelo mesmo jornalista, Evandro Carlos de Andrade, a polícia chegou a insinuar que o operário poderia ter trazido em suas vestes, de forma escondida, o veneno “paration”, um forte inseticida, presente nos rins destruídos do operário, dando a entender que o mesmo havia “suicidado”.

O laudo dos legistas, lido e interpretado por Pedroso Horta [Deputado do MDB] indicava: ferimento contuso na região superior interna da perna direita, escoriações nas faces internas das pernas e no cotovelo - tudo indicativo de que Olavo
Hansen fora submetido ao Pau de arara.(...) Além destes ferimentos, o laudo apontava escoriação da região escrotal, esquimose [acumulação de sangue abaixo da pele] na região pré-cordial [em frente ao coração] e hematoma do couro cabeludo - o que pode significar que alguma coisa a mais aconteceu com Olavo Hansen quando estava de cabeça para baixo”.

O laudo dos legistas, lido e interpretado por Pedroso Horta [Deputado do MDB] indicava: ferimento contuso na região superior interna da perna direita, escoriações nas faces internas das pernas e no cotovelo - tudo indicativo de que Olavo Hansen fora submetido ao Pau de arara.(...) Além destes ferimentos, o laudo apontava escoriação da região escrotal, esquimose [acumulação de sangue abaixo da pele] na região pré-cordial [em frente ao coração] e hematoma do couro cabeludo - o que pode significar que alguma coisa a mais aconteceu com Olavo Hansen quando estava de cabeça para baixo”.
 
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